Renovando passaportes
Boas novas no mundo de Wry, The Tamborines, CSS e Kissing Kalina
Por Luciana Lazarini, especial para o Scream & Yell
Há algumas semanas voltei para casa após um ano de Londres. Depois da zonzeira dos primeiros meses na ilha, entre os inúmeros shows, bandas e lojas de discos com tudo-o-que-você-sempre-quis nas prateleiras e artistas do mundo todo mantendo a agenda cultural ultra-diversificada, rolou Justice abrindo para o Cansei de Ser Sexy no Brixton Academy (com o famoso “sold out” estampado no letreiro da fachada), The Tamborines nas noites do Sonic Cathedral e Wry na ’segunda-casa’ do Buffalo Bar, um inferninho bem ao lado da estação de metrô Highbury e Islington.
Como eles mesmos insistem, não se trata de uma cena de bandas brasileiras em Londres. O que The Tamborines, Wry, Cansei de Ser Sexy e Kissing Kalina têm em comum são histórias de músicos que botaram o pé na estrada para não parar mais de fazer shows e criar músicas que transpiram as experiências deles lá. Sem pretensão de se apresentar como uma banda brasileira ou uma banda dessa ou aquela cena da semana, eles preferem diluir alguns rótulos e seguir cada um seu rumo, estilos e referências. A idéia aqui então não é estabelecer fronteiras entre eles, mas ouvir o que têm de novidade - novos singles, shows e histórias de bastidores.
Em poucos toques: Wry planeja turnê (retorno definitivo?) no Brasil, The Tamborines vai lançar o primeiro álbum, CSS - às voltas com o traumático segundo LP - segue com a agenda lotada e Kissing Kalina descola elogios com o primeiro single. O bate papo todo segue abaixo. Que tal fazer uma visitinha à Londres?
Wry: novos rumos?
www.myspace.com/wrymusic
No ano em que o Wry completa a simetria de sete anos de banda no Brasil e sete anos na Inglaterra, os destinos dos sorocabanos ainda é incerto. Há até quem diga que eles já voltaram de vez para o Brasil. Por enquanto, não. Eles ainda estão circulando pela região de Stoke Newington e pelo Buffalo Bar, apesar de já terem oficializado o último show do ano da banda, pouco antes do baterista André Zanini ir embora de Londres no final de maio. Um retorno que, nas palavras dele, “não deixa de ser um protesto contra a magia londrina que atinge qualquer pessoa que fica aqui e não consegue deixar mais a Inglaterra”.
Mesmo com o destino ainda incerto, a novidade para os fãs brasileiros é que o Wry vai tocar no Brasil entre abril e agosto de 2009 e daí mora a possibilidade de eles darem um tempo a mais por aqui. O grupo segue lançando seus álbuns pela Monstro Discos no Brasil e com a Club/AC30 no Reino Unido e, ainda esse ano, sai o “National Indie Hits”, álbum de covers de bandas brasileiras que homenageia gente como Walverdes, MQN, Pin Ups, Snooze, Astromato, Pelvs e Killing Chainsaw, entre outros. No começo de 2009, a banda lança o álbum “Whales and Sharks” no Brasil (que só saiu na Inglaterra pela ClubAC30).
Como o Wry passou grande parte de 2008 dentro da casa-estúdio em Stoke Newington gravando e mixando o novo álbum, “She Science”, o lançamento está previsto para abril. Quer mais novidade? Neste último álbum algumas das músicas são cantadas em português. Lá pelo meio de um ensaio, o vocalista canta a primeira das músicas em português e, só depois de finalizado o transe, bateria, baixo e guitarra se dão conta da ‘nova’ linguagem.
… Some candy talking …
Quem acompanha o blog do Mário Bross (http://mariowry.blogspot.com/) sabe que ele viveu neste ano um dos momentos mais delirantes da banda, que, antes dos primeiros acordes, eram um grupo de adolescentes que sonhava em ser um time de basquete.
16.05.2008. Norte de Londres. Na programação do Buffallo Bar daquela noite, Wry e Le Volume Courbe. O vocalista do Wry checa a lista de convidados do Volume com nomes como Douglas Hart (The Jesus and Mary Chain) e os My Bloody Valentine Kevin Shields (namorado da vocalista do Volume, Charlotte Marionneau), Colm O’Ciosoig e Debbie Googe, além de Bobby Gillespie, vocalista do Primal Scream. Nada mal para Mario Bross, que é declaradamente obcecado por MBV, e teve a certeza de que deveria montar uma banda quando, nos anos 90, assistiu a um cover do Jesus. Os caras assistiram ao show do Wry, que subiu ao palco como quem se entrega para um ritual. Parando a história aqui, eles já teriam ganhado a noite. O tom extasiado do relato do vocalista me impede de tentar recontar. Então, pausa um trecho do blog do Mário Bross sobre o candy talking com Kevin Shields após o show.
“Ele apertou minha mão firme e disse o quanto o show tinha sido bom. Apertou de novo e completou dizendo que teve momentos do show em que ele pensou em músicas novas. Que tinha se inspirado. Eu disse ironicamente que não acreditava no que dizia, mas que depois pagaria uma bebida para ele. Ele sorriu e eu saí dali, com a cabeça a mil. Poucas coisas me atingem, mas algumas me matam, como essa acima. (…) Já era 11pm e conversamos muito depois, sobre tantas coisas diferentes e até segredos que não são contados a jornalistas e que não vou relatar aqui. Um dia talvez eu te conte pessoalmente. Kevin acrescentou mais tarde que a música “Bitter Breakfast” fez ele mesmo pensar numa outra música. Falando com o Luciano, ele disse que estão escrevendo músicas novas pros shows que vão fazer este ano. Conversaram sobre pedais. Sons, Ebay. Conversamos sobre cachês, Brasil, Londres, guitarras, Belinda e os ensaios da banda”.
(e continua. ver o restante da reportagem aqui: www.screamyell.com.br)
Boas novas no mundo de Wry, The Tamborines, CSS e Kissing Kalina
Por Luciana Lazarini, especial para o Scream & Yell
Há algumas semanas voltei para casa após um ano de Londres. Depois da zonzeira dos primeiros meses na ilha, entre os inúmeros shows, bandas e lojas de discos com tudo-o-que-você-sempre-quis nas prateleiras e artistas do mundo todo mantendo a agenda cultural ultra-diversificada, rolou Justice abrindo para o Cansei de Ser Sexy no Brixton Academy (com o famoso “sold out” estampado no letreiro da fachada), The Tamborines nas noites do Sonic Cathedral e Wry na ’segunda-casa’ do Buffalo Bar, um inferninho bem ao lado da estação de metrô Highbury e Islington.
Como eles mesmos insistem, não se trata de uma cena de bandas brasileiras em Londres. O que The Tamborines, Wry, Cansei de Ser Sexy e Kissing Kalina têm em comum são histórias de músicos que botaram o pé na estrada para não parar mais de fazer shows e criar músicas que transpiram as experiências deles lá. Sem pretensão de se apresentar como uma banda brasileira ou uma banda dessa ou aquela cena da semana, eles preferem diluir alguns rótulos e seguir cada um seu rumo, estilos e referências. A idéia aqui então não é estabelecer fronteiras entre eles, mas ouvir o que têm de novidade - novos singles, shows e histórias de bastidores.
Em poucos toques: Wry planeja turnê (retorno definitivo?) no Brasil, The Tamborines vai lançar o primeiro álbum, CSS - às voltas com o traumático segundo LP - segue com a agenda lotada e Kissing Kalina descola elogios com o primeiro single. O bate papo todo segue abaixo. Que tal fazer uma visitinha à Londres?
Wry: novos rumos?
www.myspace.com/wrymusic
No ano em que o Wry completa a simetria de sete anos de banda no Brasil e sete anos na Inglaterra, os destinos dos sorocabanos ainda é incerto. Há até quem diga que eles já voltaram de vez para o Brasil. Por enquanto, não. Eles ainda estão circulando pela região de Stoke Newington e pelo Buffalo Bar, apesar de já terem oficializado o último show do ano da banda, pouco antes do baterista André Zanini ir embora de Londres no final de maio. Um retorno que, nas palavras dele, “não deixa de ser um protesto contra a magia londrina que atinge qualquer pessoa que fica aqui e não consegue deixar mais a Inglaterra”.
Mesmo com o destino ainda incerto, a novidade para os fãs brasileiros é que o Wry vai tocar no Brasil entre abril e agosto de 2009 e daí mora a possibilidade de eles darem um tempo a mais por aqui. O grupo segue lançando seus álbuns pela Monstro Discos no Brasil e com a Club/AC30 no Reino Unido e, ainda esse ano, sai o “National Indie Hits”, álbum de covers de bandas brasileiras que homenageia gente como Walverdes, MQN, Pin Ups, Snooze, Astromato, Pelvs e Killing Chainsaw, entre outros. No começo de 2009, a banda lança o álbum “Whales and Sharks” no Brasil (que só saiu na Inglaterra pela ClubAC30).
Como o Wry passou grande parte de 2008 dentro da casa-estúdio em Stoke Newington gravando e mixando o novo álbum, “She Science”, o lançamento está previsto para abril. Quer mais novidade? Neste último álbum algumas das músicas são cantadas em português. Lá pelo meio de um ensaio, o vocalista canta a primeira das músicas em português e, só depois de finalizado o transe, bateria, baixo e guitarra se dão conta da ‘nova’ linguagem.
… Some candy talking …
Quem acompanha o blog do Mário Bross (http://mariowry.blogspot.com/) sabe que ele viveu neste ano um dos momentos mais delirantes da banda, que, antes dos primeiros acordes, eram um grupo de adolescentes que sonhava em ser um time de basquete.
16.05.2008. Norte de Londres. Na programação do Buffallo Bar daquela noite, Wry e Le Volume Courbe. O vocalista do Wry checa a lista de convidados do Volume com nomes como Douglas Hart (The Jesus and Mary Chain) e os My Bloody Valentine Kevin Shields (namorado da vocalista do Volume, Charlotte Marionneau), Colm O’Ciosoig e Debbie Googe, além de Bobby Gillespie, vocalista do Primal Scream. Nada mal para Mario Bross, que é declaradamente obcecado por MBV, e teve a certeza de que deveria montar uma banda quando, nos anos 90, assistiu a um cover do Jesus. Os caras assistiram ao show do Wry, que subiu ao palco como quem se entrega para um ritual. Parando a história aqui, eles já teriam ganhado a noite. O tom extasiado do relato do vocalista me impede de tentar recontar. Então, pausa um trecho do blog do Mário Bross sobre o candy talking com Kevin Shields após o show.
“Ele apertou minha mão firme e disse o quanto o show tinha sido bom. Apertou de novo e completou dizendo que teve momentos do show em que ele pensou em músicas novas. Que tinha se inspirado. Eu disse ironicamente que não acreditava no que dizia, mas que depois pagaria uma bebida para ele. Ele sorriu e eu saí dali, com a cabeça a mil. Poucas coisas me atingem, mas algumas me matam, como essa acima. (…) Já era 11pm e conversamos muito depois, sobre tantas coisas diferentes e até segredos que não são contados a jornalistas e que não vou relatar aqui. Um dia talvez eu te conte pessoalmente. Kevin acrescentou mais tarde que a música “Bitter Breakfast” fez ele mesmo pensar numa outra música. Falando com o Luciano, ele disse que estão escrevendo músicas novas pros shows que vão fazer este ano. Conversaram sobre pedais. Sons, Ebay. Conversamos sobre cachês, Brasil, Londres, guitarras, Belinda e os ensaios da banda”.
(e continua. ver o restante da reportagem aqui: www.screamyell.com.br)





















































